Patrocinadores exigem mudanças profundas na gestão do futebol

Na última sexta-feira (2) começou a tomar forma um movimento que pode mudar os rumos da governança em entidades esportivas de todo o mundo. Coca-Cola, McDonalds, AB Inbev e Visa, alguns dos principais patrocinadores da FIFA, manifestaram-se pela saída imediata do presidente da entidade, Joseph Blatter, que está envolvido em inquérito policial na Suíça por suspeita de apropriação indevida de recursos e gestão criminosa. Talvez este seja o mais importante passo já dado contra as diversas formas de corrupção que ofuscam o esporte.

É muito cedo para entendermos a proporção deste posicionamento de empresas que investem pesado e há tantos anos no futebol. Pouco provável que Blatter renuncie neste momento delicado, e com tão pouco tempo para “jogar a sujeira debaixo do tapete” antes das próximas eleições da entidade, que acontecerão em fevereiro, mas sem dúvida é importante que empresas que associam suas marcas a uma entidade assolada em acusações de corrupção se posicionem de forma clara contra um modelo de gestão ultrapassado e, principalmente, uma figura tão emblemática como a do presidente que há 17 anos comanda a os rumos da FIFA.  

Este é um exemplo que pode mudar a relação de patrocínio, já que na maioria dos casos o que acontece é exatamente o contrário. Empresas incomodadas com a gestão do esporte normalmente encerram o contrato e saem de cena, piorando ainda mais a situação. Aqui mesmo, no Brasil, isso aconteceu recentemente em esportes como o futsal e o vôlei, que perderam parceiros importantes tão logo casos de corrupção ou má gestão vieram à tona, aumentando assim a crise em que já se encontravam.  

A ação dos patrocinadores da FIFA segue um caminho totalmente oposto e mostra o quanto o esporte pode ser importante, a ponto de que exijam publicamente a saída de seu principal gestor e não tomem atitudes que possam abrir espaço para que seus concorrentes tomem seus lugares. A mensagem é muito clara: a relação de marcas e empresas com o esporte pode chegar a um nível em que vale a pena brigar para que a gestão esportiva esteja à altura dos investimentos que recebe. 

É lamentável que o futebol tenha chegado ao ponto de necessitar intervenções e manifestações externas, mas fica a esperança de que este episódio sirva para que as entidades combatam com todo vigor qualquer tipo de má gestão e todas as formas de corrupção, sejam elas cometidas por dirigentes, atletas, árbitros, e demais pessoas envolvidas com o esporte, ainda que essas mudanças sejam motivadas apenas por interesses comerciais.  

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