Vestindo a camisa do patrocinador

Com a proximidade dos Jogos Rio 2016, atletas olímpicos e paralímpicos começam a viver seu momento de alta no mercado, ou seja, chegou a hora de fechar patrocínios e aproveitar os próximos dezoito meses para se recuperarem do período de baixa. Mas a questão não é simplesmente assinar contratos, e sim também entregar o que foi contratado.

Se a tudo se resumisse a administrar as próprias finanças, seria muito mais fácil, mas assumir um compromisso com uma empresa requer alinhamento de expectativas com os patrocinadores, principalmente aqueles que não estão acostumados a patrocinar atletas e estão investindo com o objetivo de dar maior visibilidade à sua marca exatamente no momento em que o esporte ganha relevância.  

É possível dividir as empresas que aproveitam a oportunidade do calendário de grandes eventos em grupos, de acordo com suas características, mas eu começo destacando dois que, no meu caso, como representante de atletas, são facilmente identificáveis e têm comportamento diferente ao longo da relação. 

O primeiro é formado por aquelas que normalmente investem e estão familiarizadas com o esporte. Elas contratam atletas ou reforçam um grupo já existente, sempre com alguma finalidade específica e muito clara em sua estratégia, que não contempla apenas os períodos de eventos. Um bom exemplo são os patrocinadores globais dos Jogos Olímpicos. Eles normalmente têm o esporte em seu DNA, mas há casos em que contratam atletas para períodos específicos. Como seu investimento é bastante alto, é comum que tenham uma estratégia muito bem definida e saibam exatamente onde e como querem chegar com os atletas.  

Outro grupo de empresas que apostam em patrocínio a atletas em momentos de alta é o daquelas que não investem em esporte regularmente e querem aproveitar o momento. Este grupo obviamente não é pior que o anterior, mas é preciso redobrar alguns cuidados antes de fechar negócio, pois em muitos casos as pessoas envolvidas no projeto, por mais que sejam competentes na área de marketing e totalmente bem intencionadas, não entendem muito bem como funciona a relação com o atleta.  

Neste caso, a experiência invariavelmente me mostrou que é fundamental, antes de assinar qualquer papel, esclarecer de que forma é possível comprometer o atleta, caso contrário, a expectativa do patrocinador fatalmente vai esbarrar em questões como a indisponibilidade de agenda por conta de treinos e competições, além de ruídos na própria ativação. 

A pergunta que surge é óbvia: como satisfazer o patrocinador? E a resposta é simples: entendendo e tratando o patrocinador como um cliente.  

Quando um se fecha um acordo de patrocínio individual, acontece uma relação de venda. O atleta se compromete a realizar uma série de serviços por um período determinado, e cabe a ele, e naturalmente à sua equipe, não somente entregar o que foi contratado, mas garantir que isso aconteça da melhor forma possível, superando as expectativas do cliente. E, para que isso aconteça, é fundamental que a venda seja bem feita, ou seja, que todos os pontos relevantes sejam discutidos e acordados. A vontade de fechar um negócio nunca pode ser maior que o cuidado para que ele seja bem feito.  

As empresas podem, sim, aparecer com os famosos contratos padrão, com cláusulas que não fazem o menor sentido, que não se aplicam aqui ou ali, e isso talvez nunca mude, mas é fundamental que todas as contrapartidas sejam entendidas e discutidas pelas partes. Em uma relação de patrocínio não pode haver dúvidas quanto a obrigações e, muito menos, expectativas, pois a troca é intensa. A associação de imagem é recíproca. Não acontece apenas para uma parte e, pensando pelo lado do atleta, ele pode ser lembrado por um longo tempo em função de uma campanha marcante ou uma marca que ajudou a divulgar.  

Casos de sucesso não faltam, e também são muitos os que não são tão felizes assim. Mas é extremamente importante que haja, por parte do atleta, ciência de que, seja qual for a situação, ele não é, ou não pode ser, um sujeito passivo dentro de uma campanha ou um patrocínio. Ele é tão responsável pelo resultado quanto a empresa que o contrata, e sua proatividade em todas as fases do processo é fundamental não apenas para seu próprio sucesso como patrocinado, mas também para que haja cada vez mais empresas apoiando o esporte e obtendo bons resultados.

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Um exemplo construído com muito suor

No último domingo, o Domingão do Faustão levou ao palco o canoísta paralímpico Fernando Fernandes e a jovem Thayane Tavares, que se inspirou no multicampeão para superar o trauma vivido no atentado que vitimou 24 alunos em uma escola de Realengo, no Rio de Janeiro. Ela ficou paraplégica e, seguindo o exemplo de Fernando, encontrou na canoagem a força para seguir em frente.

O esporte tem mesmo essa força transformadora que muda a vida de muita gente, mas exemplos como o dele, que inspiram pessoas como Thayane a recomeçarem e a não se deixarem derrotar pelas maiores dificuldades, não são feitos apenas de medalhas e reconhecimento. Aliás, essas são algumas das consequências, mas o ídolo, o verdadeiro exemplo no mundo do esporte, é formado com muito trabalho e muito suor.

Assim como no esporte olímpico, a disputa no paradesporto é bastante acirrada e seus atletas, além das dificuldades que permeiam a vida de grande parte dos esportistas brasileiros, enfrentam ainda mais para conseguir exposição em mídia e os patrocínios que permitam manterem-se do esporte e conquistar uma posição social confortável. Mesmo sendo uma das raras exceções, principalmente entre atletas que ainda não disputaram Paralimpíadas, não foi com a fama conquistada antes da paracanoagem que Fernando Fernandes conseguiu seu contrato com a Rede Globo e muito menos com os patrocinadores que tem hoje.

Caixa Loterias, BNDES, Nike, Seguros Unimed, Gol e 4Fuel não associaram sua marca a um canoísta simplesmente pelo retorno que o esporte proporciona, e muito menos por seu sorriso bonito. Todas essas empresas, e outras tantas que o convidam para contar um pouco de sua história a seus funcionários por meio de palestra, buscaram muito mais. Não seguiram o brilho do ouro das medalhas, e sim do suor que pinga de seu rosto a cada treino. Essa é a receita bastante simples do sucesso: trabalho. Trabalhar quando os outros descansam, fazer o que parece impossível. E isso é um estilo de vida, não se limita ao esporte competitivo e não tira folga no fim de semana. Assim que se conquista o espaço dos veículos de mídia e a atenção do público.

É a busca pela excelência. Não se limita a fazer o suficiente para conquistar seus objetivos em campeonatos. Aliás, os campeonatos passam e os campeões se renovam com o passar do tempo, mas a busca pela excelência deixa os exemplos verdadeiros, aqueles que emocionam. Ainda que essa tal busca nunca chegue ao fim, é ela que faz uma história verdadeira, que merece ser contada muitas vezes com as mais diversas abordagens. Ela atrai pessoas dispostas a também dar o seu melhor e empresas interessadas em mostrar que também buscam superar seus limites, surpreender.

É com esta verdade que se faz a diferença na vida das pessoas, porque a vitória no esporte é, sim, muito saborosa, mas um exemplo real que ajude uma Thayane a seguir em frente mesmo com todas as dificuldades, esse é o tipo de vitória que somente os verdadeiros campeões podem saborear.

Dubai Parte III: o oásis onde nem tudo que reluz é ouro

Ainda que Dubai disponha de uma estrutura física invejável e busque os melhores profissionais para promover o crescimento do esporte local, há uma peça muito importante da “equação esportiva” que pode colocar todo o investimento a perder: a gestão.

É preciso separar aqui duas coisas bastante distintas. Uma é a hospitalidade, e neste ponto os países do Oriente Médio são sensacionais. Sempre que for convidado a qualquer evento pode contar com voo extremamente confortável, hotel impecável, motorista à disposição e tudo o que o dinheiro pode comprar para oferecer o melhor aos visitantes. Mas nem tudo está relacionado ao valor investido, e sim a como é investido, caso contrário ele pode se tornar simplesmente um gasto e não gerar o resultado esperado.

E é exatamente no resultado esperado que começam as dificuldades de entendimento. Depois de conhecer e realmente me encantar com a estrutura do NAS Sports Complex e saber um pouco mais sobre os atletas e treinadores internacionais que são contratados para fazer o espetáculo durante o período do Ramadã, é natural tentar entender o que a organização espera com um evento deste tipo. Claro que o entretenimento doméstico é plenamente aceitável, mas obviamente esperam algo mais quando, além das TVs locais que cobrem as competições ao vivo, convidam outras tantas da Europa e da América do Sul.

Nada melhor, então, que conversar a respeito com o próprio organizador que convidou a mídia brasileira. E aí aconteceu minha primeira surpresa ao ouvir que eles não tinham interesse em divulgar de Dubai ou o evento. Ok, pensei que este poderia ser simplesmente o discurso, alguma coisa do tipo “finjo que não quero nada mas te dou condições e você me entrega o que eu estou esperando”. Já passei por alguma coisa parecida no Kuwait, e acho até que isso tem bastante a ver com a cultura dos países do Oriente Médio.

No dia da final do futsal, que seria o ponto alto do evento, uma surpresa ainda maior. Participariam de um jogo exibição, antes da decisão, Zidane, Edgar Davids e Michel Salgado. Pronto! Tudo passou a fazer sentido! Grandes estros consagrados do futebol mundial são o caminho mais curto para qualquer evento se tornar um sucesso de público e mídia. Confirmei com o organizador que toda a equipe brasileira teria acesso à competição e aos jogadores, e para não ter erro liguei para a agente de Edgar Davids, na Holanda, para garantir que todos conseguiríamos pelo menos alguns minutos com eles depois da exibição.

Com tudo acertado, só faltava chegar ao evento, aproveitar a grande festa, e em seguida falar com quem nos interessava (no meu caso, principalmente organizadores, atletas e treinadores brasileiros). Desfecho perfeito para quem passaria a noite em claro para na manhã seguinte voltar ao Brasil.

Chegando ao ginásio, o público estava a postos para as partidas e o clima era realmente muito especial, e foi a partir daí que a organização falhou irremediavelmente. Nada saiu como combinado e ninguém conseguiu acesso à área de jogo ou de imprensa, onde naturalmente nos posicionaríamos. Pessoas que claramente não trabalhavam ocupavam livremente esses espaços. Eram os famosos VVIP.

Quando, vencido pelo cansaço provocado pela inexplicável morosidade na solução, indiquei com a saída do evento para ao menos ver a final pela televisão, localizaram a pessoa que mais se aproximaria ao cargo de assessor de imprensa do evento, mas que até então não havia se apresentado em nenhum dos dias. A esta altura não foi surpresa quando apareceu um jovem que nada pôde fazer além de dizer que naquele dia seria impossível ajudar de alguma maneira.

No fim das contas, com uma grande quantidade de pessoas tomando todos os lugares do ginásio, mesmo aqueles em que não era possível ter qualquer visão da quadra ou acesso a quem quer que seja, o melhor foi mesmo voltar ao hotel e acompanhar a final pela televisão.

Os veículos convidados já previam que poderia haver problemas no dia da final, com a presença de tantos VIPs, e produziram ao longo da semana muito conteúdo alternativo, bastante interessante por sinal. Desta forma, ainda que para a organização do evento, que fez o convite e organizou uma série de atividades, provavelmente o resultado não seja exatamente o esperado, seja ele qual for, para as TVs sem dúvida a viagem vai render boas matérias.

Para mim, que estava ali exatamente para observar o que aconteceria fora das quadras, foi mais proveitoso ainda, pois pude experimentar de forma bastante intensa a forma como as diferenças culturais podem afetar o evento esportivo e o desenvolvimento do esporte em uma região em que talvez o retorno não se meça exatamente como fazemos por aqui, mas onde certamente se fazem necessários ajustes importantes caso queiram participar do cenário internacional do esporte como competidores importantes e organizadores de evento, e não mais apenas como torcedores apaixonados.

Dubai Parte II: importando talentos para o crescimento do esporte

Ainda que o Nad Al Sheba Sports Tournament, em Dubai, aconteça em um complexo esportivo de alto nível, ele mantém o caráter amador e segue sendo uma disputa entre equipes formadas por amigos que querem celebrar o mês sagrado. Mas como tudo por ali tende à grandiosidade, esses amigos começaram a formar times cada vez mais fortes e a trazer atletas consagrados para a competição. O resultado de tudo isso é uma grande oportunidade de crescimento do esporte local.

Se falarmos em futsal, a modalidade mais ligada aos brasileiros, já participaram deste torneio alguns dos principais jogadores do mundo, inclusive o craque Falcão, em 2014, e este ano o jogador português considerado melhor do mundo na atualidade, Ricardinho, que viu sua equipe ser eliminada nas semifinais. Mas a lista de astros é extensa e o time campeão de 2015, o Al Jokar, contou com nada menos que cinco brasileiros em quadra, entre eles o bicampeão mundial Ari e o craque barcelonista Bateria. Fora de quadra, o time foi comandado por nada menos que o técnico atual campeão mundial com a Seleção Brasileira, Marcos Sorato, que há um ano é treinador na vizinha Abu Dhabi.  O vice-campeão, Fuhood Jumeirah, além de jogadores brasileiros, contou também com o apoio mais que especial, ainda que extraoficial, do técnico da Seleção dos Emirados Árabes Unidos, o brasileiro Rubio Guerra, que há cerca de vinte anos se dedica ao futsal no Oriente Médio.  

Muitos outros jogadores e treinadores italianos, espanhóis, e de outras nacionalidades tradicionais no futsal também participam deste torneio, e o motivo principal é o “cachê” bastante acima do praticado no mundo do futsal. Para se ter uma ideia, pela participação de cerca de duas semanas na competição, um jogador de primeiro nível mundial recebe algo em torno de cinquenta mil dólares, fora premiações que podem vir a cada jogo, dependendo do patrono do time. Já para jogadores como Falcão e Ricardinho, os valores podem ser ainda muito mais altos.  

Os retorno para o futsal da região é bastante claro. Jogadores locais convivem, treinam e jogam com alguns dos principais jogadores de todo o mundo e experimentam um ambiente competitivo de alto nível ao qual difícilmente teriam acesso em outras condições. Os treinadores internacionais também têm um papel fundamental, e eu me arriscaria até a dizer maior que o dos jogadores consagrados. Além de transmitir sua experiência aos atletas, muitas vezes contam com uma comissão técnica local, o que permite que seus conhecimentos sejam ainda mais difundidos após este torneio, quando todos voltam a atuar por suas equipes. 

Mas ainda que a estrutura física seja muito acima do que se encontra na grande maioria dos principais centros esportivos do mundo, e a importação de talentos dentro de quadra seja uma importante ferramenta para transmissão de experiência e crescimento no esporte, há uma terceira que é determinante para que tudo isso não se perca, e é aí que está o grande desafio para o esporte de Dubai e de outros países do Oriente Médio: a gestão esportiva e seu reflexo na organização de eventos. E este é o tema do próximo post.  

Dubai Parte I: estrutura de treinamento e pesquisa que redefinem o alto nível

Fui convidado a passar uma semana em Dubai acompanhando os jogos decisivos de futsal no Nad Al Sheba Sports Tournament 2015, conhecido popularmente como torneio do Ramadã. Oito esportes, sendo dois adaptados, são disputados em competições que atraem alguns dos principais atletas de cada modalidade em todo o mundo.

Por acontecer no mês sagrado do Ramadã, quando os muçulmanos buscam a renovação da fé e praticam jejum durante o dia, os jogos acontecem no período da noite e se estendem pela madrugada, assim como grande parte da vida social nesta época do ano. 

Mais do que as competições propriamente ditas, a enorme diferença do Oriente Médio em relação ao Brasil, além de Europa e Estados Unidos, que são nossas principais referências internacionais, despertou ainda mais minha curiosidade a respeito da estrutura, organização, patrocínios, relação com a imprensa e os atrativos que fazem deste torneio uma festa tão popular em seu país. 

Cheguei com o objetivo de conhecer tudo que fosse possível daquela parte do mundo, onde os resultados esportivos, de um modo geral, aparecem de forma acanhada no cenário internacional, mas a paixão pelo esporte fica evidente a partir do primeiro momento em que se começa a buscar um pouco mais de informação, seja pela internet ou por conhecidos que por lá estiveram.

Já imaginava que o incentivo e a visibilidade que o esporte vem adquirindo naquele emirado tem muito a ver com a figura do Príncipe de Dubai, Sheik Hamdam bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum, um jovem adepto dos esportes radicais, fenômeno das redes sociais por seus vídeos em ação, que preside o Conselho Esportivo de Dubai. Chegando lá, isso não apenas se confirmou como ficou muito mais claro por conta de sua participação como espectador em todos os eventos, assim como a cobertura ostensiva da televisão local a suas aparições no evento. A figura deste jovem atlético, amante dos esportes, extremamente simpático e receptivo com o seu povo, aliado à força da mídia local, sem dúvida é um grande incentivo para a popularização do esporte.

Nos dois primeiros dias da visita, conheci mais detalhadamente o Nad Al Sheba Sports Complex, e não foi difícil entender por que clubes como Real Madri, Juventus, Milan, Borússia Dortmund e Manchester United disputam este complexo para treinamentos na pré-temporada, assim como atletas do calibre de Roger Federer e Fernando Alonso.

A estrutura é completa, e para o torneio contou com quadra poliesportiva coberta e climatizada, preparada para receber, segundo dados oficiais da organização, cerca de 1000 torcedores em poltronas confortáveis nas instalações onde aconteceram as competições de futsal, vôlei e basquete em cadeira de rodas. No mesmo ginásio, em uma área separada, há três quadras oficiais de paddle tennis, sendo duas indoor e uma outdoor, além de duas quadras “panorâmicas”, construídas com paredes de vidro, que permitem que toda a área de jogo seja vista de qualquer ângulo pelos espectadores, tornando muito mais completa e interessante a experiência de assistir às partidas. Nesta área, as quadras podem receber um total de 900 torcedores. Uma grande tenda separada, também climatizada, recebeu as competições de tiro e bocha adaptada. As provas de corrida de rua e ciclismo aconteceram ao ar livre, nas ruas de Dubai.

Ainda que a estrutura utilizada para o torneio seja de primeira linha, as grandes estrelas do complexo não fizeram parte do programa, mas tive o privilégio de conhecê-las em uma visita exclusiva. A primeira são os dois campos oficiais de futebol, com grama importada e cuidada 24 horas por dia, 7 dias por semana. Eles não têm arquibancadas ou área para imprensa e o objetivo é que sejam um local de treinamento que ofereça total privacidade às equipes.

E, por fim, a grade estrela da companhia: o Health Club. Um prédio de dois andares totalmente dedicado à ciência do esporte. A área de musculação tem aproximadamente 1500 m2 e está equipada com aparelhos Technogym para cardiovascular, Hoist para resistência, e Hammer Strenght e Elieko para exercícios livres. A parte de circuito é Synergy 360, da Life Fitness.

A área de treinamento funcional é a maior já construída, assim como o “Ice Lab”, para crioterapia, que conta com três saunas geladas, sendo uma a -10oC, outra a -60oC, e a mais forte a -110oC. Salas especiais, com esteiras e bicicletas ergométricas, simulam a altitude, temperatura e umidade desejadas, permitindo que se reproduzam exatamente as condições climáticas encontradas em qualquer competição ao redor do mundo. O atleta pode, em um minuto, treinar nas condições do Rio de Janeiro, ao nível do mar, e no minuto seguinte na altitude de Quito, por exemplo. Tudo sem sair de uma sala.

Na parte aquática, o Health Club conta com uma piscina aquecida semiolímpica, de 25 metros, com seis metros de profundidade, uma piscina com fundo de esteira e profundidade ajustável, e duas piscinas que simulam correnteza.

Para chegar ao projeto final, o Dr. Abdulhameed Alattar, responsável pelo Health Club e chairman do Comitê de Medicina Esportiva dos Emirados Árabes Unidos, visitou os principais fabricantes em diversos países, até chegar aos equipamentos que considera serem os melhores disponíveis pela tecnologia atual. A execução do projeto aconteceu em incríveis 21 dias e, de acordo com o especialista, a expectativa é que não haja outro centro tão avançado em todo o mundo durante, pelo menos, os próximos cinco anos.

Logo nos primeiros dias, quando o foco era conhecer a estrutura física e equipamentos do Nad Al Sheba Sports Complex, a impressão que ficou foi de que Dubai está muito bem servida para produzir campeões e dar o próximo grande passo no esporte, que é deixar a posição de espectador e assumir a de potência esportiva. Mas, como não é segredo para ninguém, estrutura e tecnologia são apenas duas das variáveis da grande equação que é a conquista de títulos importantes no esporte, e a busca por experiência internacional nos países da região é o tema do próximo post.

Circuito Caixa Loterias: boa opção de evento esportivo com público abaixo do merecido

Aconteceu no último fim de semana a primeira etapa nacional do Circuito Caixa Loterias de Atletismo e Natação paralímpicos, em São Paulo. Atletas de ponta de todo o país se reuniram para uma competição em que houve até quebra de recorde mundial. Boa organização, atletas de primeira e localização central. Só faltou o público.

O evento foi realizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro nos dias 4 e 5 de julho, com patrocínio da Caixa Loterias, e além dos mais de 500 atletas inscritos, muitos dos quais representarão o Brasil e conquistarão medalhas nas Paralimpíadas Rio 2016, havia uma série de atrações gratuitas para o público como animadores, camiseta, boné, kit lanche, pipoca, sorvete, e por aí vai… A localização também foi privilegiada, o Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, bem ao lado do Parque Ibirapuera, a “praia” do paulistano, por onde passam milhares de pessoas todos os dias, ainda mais aos sábados e domingos.Além de todas as atrações, a organização ainda disponibilizou transporte gratuito para grupos, o que possibilitou a ida de alunos da rede pública de ensino e de crianças do Instituto Fernando Fernandes Life. Mas ainda assim não houve mais de duzentos espectadores nos momentos mais concorridos do evento. 

Claro que não é fácil concorrer com todas as atrações que a maior cidade do país oferece durante o fim de semana, ainda mais com as baixas temperaturas registradas nos últimos dias, mas o número escasso de pessoas que se dispõem a deixar a rotina um pouquinho de lado para presenciar uma competição que não seja futebol, ou corrida de rua na condição de atleta amador, é um problema crônico que afeta muitos eventos esportivos no Brasil.

Baseado neste evento, que sem dúvida se destaca da grande maioria tanto pelo alto nível competitivo quanto pela gratuidade e pelas atrações fora das pistas e piscinas, o que pode justificar que haja pouca gente disposta a comparecer? A comunicação sem dúvida é um ponto a ser avaliado. 

Uma questão é quantitativa. A adesão da mídia espontânea anterior ao evento em volume inferior ao necessário para comunicar os potenciais espectadores pode ser um gargalo. Sem divulgação na proporção ideal, pouca gente fica sabendo da existência do evento e o resultado é óbvio. A ampla cobertura da competição propriamente dita também é fundamental e, neste caso, não apenas para dar retorno aos patrocinadores, mas também porque este circuito terá mais duas etapas no mesmo local ainda este ano, e a divulgação pós-evento serve para atrair atenção para o próximo. 

Mas o volume da divulgação não resolve este caso, por si, e é necessário pensar também na qualidade da informação para que ela sirva aos seus propósitos. Ainda falta conhecimento do grande público em relação a este tipo de evento esportivo. Competições de atletismo e natação, em geral, são muito rápidas e acontecem com intervalos de poucos minutos entre uma prova e outra, o que faz com que o evento seja muito dinâmico e uma excelente opção de entretenimento, não importando aí se são olímpicas ou paralímpicas. É claro que no caso das paralímpicas o cuidado com a informação tem que ser redobrado, já que as pessoas precisam entender o quanto são fortes e competitivas.

Por parte do CPB, organizador do Circuito Caixa Loterias, o trabalho vem sendo realizado e a evolução dispensa microscópio para ser percebida, ao contrário de tantas outras entidades que regem o nosso esporte. Os eventos são cada vez maiores e a organização cada vez melhor. Óbvio que, assim como quase tudo relacionado ao esporte brasileiro, ainda há muito a se desenvolver, e atrair público para seus eventos é um ponto chave. A seu favor pesam a excelente qualidade do produto que vem desenvolvendo, que é o esporte paralímpico brasileiro, e os resultados que logo transcenderão seus próprios esforços de comunicação, nos Jogos Rio 2016.